Preço:
“É notável o compromisso de Bruna Maia com o tema da raiva feminina. Sua investigação obsessiva dos distúrbios do ‘ser mulher’ levam a autora a construir cenas distorcidas de um feminino sujo e violento, mas também muito carismático e catártico. Pulp, cinematográfico, emocionante: Na beirada consolida o que Bruna já fazia bem em Com todo o meu rancor. Uma literatura pop digna do nome e que não tem medo de propor a violência das mulheres como resposta.” — Renata Corrêa, roteirista e autora de Monumento para a mulher desconhecida
Na mitologia grega, Cassandra é aquela que vê o que os outros se recusam a enxergar, condenada a dizer a verdade sem jamais ser plenamente acreditada.
Em Na beirada, Bruna Maia evoca esse mito para construir um thriller singular conduzido por uma protagonista que parece sofrer da mesma sina. Cassandra é uma mulher solitária, introspectiva e emocionalmente instável. Programadora que trabalha remotamente revisando códigos para empresas estrangeiras, ela construiu para si uma vida de isolamento voluntário. Seus dias se sustentam em pequenos rituais: correr pelo bairro, ouvir as conversas da vizinha Clotilde e manter encontros sexuais esparsos, enquanto tenta lidar com lembranças fragmentadas da própria infância.
Até que um assassinato brutal estampado nas manchetes desperta nela um ímpeto improvável: prestar concurso para investigadora da Polícia Civil. Ao longo dessa trajetória, ela entra em uma espiral de dissociação, ansiedade e violência. À medida que Cassandra parece enlouquecer, ela também se torna mais lúcida, por mais estranho que isso pareça.
Ao atravessar o universo da psiquiatria e da investigação criminal, Bruna explora as zonas cinzentas entre sofrimento psíquico, diagnóstico e estigma. Alternando vozes narrativas, o próprio ritmo do romance parece acompanhar os estados mentais de Cassandra — suas dissociações, obsessões e crises de ansiedade.
Este é um thriller brasileiro raro. Bruna pega um gênero cheio de fórmulas e o leva para um lugar muito mais estranho, incômodo e interessante.
— Andressa Tabaczinski, autora de Boas meninas se afogam em silêncio