O mundo enfrentou, de março de 2020 a abril de 2022, sua maior crise sanitária dos últimos anos. A pandemia da covid-19 gerou uma grande mudança de hábitos e comportamentos, causando estresse intenso e permanente na maior parte da população. Este fator foi determinante para a adoção de um estilo de vida inadequado, que leva a doenças crônicas, físicas e mentais e reduz a expectativa de vida, com efeito desfavorável na busca da felicidade, nas esferas pessoal e profissional e na longevidade com autonomia e independência.
Como consequência, pilares básicos do bem-estar foram derrubados: a alimentação ficou mais desequilibrada, com maior consumo de ultraprocessados e de álcool, o sedentarismo aumentou e a qualidade do sono piorou. A situação foi agravada com a postergação ou a interrupção de exames preventivos e de tratamentos médicos. O grande número de óbitos, o medo, as incertezas e a distância de entes queridos, além da perda de empregos e negócios, pioraram esse cenário.
Com o home office improvisado, adaptações abruptas foram feitas para reorganizar lares que, de uma hora para a outra, se transformaram em filiais de escritórios e de escolas. Resultado: colaboradores perderam a motivação e o foco e ganharam adicções. No mundo empresarial pós-pandemia, o sentimento ainda é de dúvida, o que, somado às mudanças climáticas e ao crescimento da violência, aumenta a carga mental.
Na atualidade, discute-se bastante o uso da inteligência artificial (IA) no desenvolvimento pessoal e profissional, e seu impacto no nosso bem-estar. É um recurso fantástico, que tem sido de suma importância na medicina. Leonardo da Vinci definiu que o homem é corpo e alma, físico e emoção. Computadores não choram, não brincam e não sofrem, são incapazes de reproduzir a felicidade humana. E para traumas emocionais inexistem próteses.
No âmbito corporativo, o conceito de felicidade está relacionado ao maior nível de satisfação dos funcionários e expressa mais que receber ótimos salários. Não existe algoritmo para a felicidade. Talvez no âmbito corporativo a inteligência relacional seja mais desejável.
Superada a covid-19, enfrentamos outras duas pandemias decorrentes de hábitos inadequados. A primeira é a de condições crônicas de saúde, como hipertensão, diabetes, obesidade ou câncer, mesmo em jovens. A segunda é a de transtornos mentais. No Brasil, o combustível do sistema de saúde é a doença; uma estratégia equivocada e insustentável.
Em nossa experiência de 36 anos como referência em medicina preventiva no país, com abordagem física e emocional na realização de check-ups personalizados e consulta pós-check-up, a análise de dados de clientes nos dá a convicção de que investir em um estilo de vida saudável e na prevenção é o melhor caminho para alcançar a longevidade com talento. O que é a felicidade se não um estado de equilíbrio do nosso próprio ecossistema?
— Galileu Assis, cofundador da Med-Rio Check-up e diretor-médico da clínica