No final do século 19, irrompe no oeste dos Estados
Unidos uma disputa por terras que põe em confronto
índios e americanos. Seria uma questão cotidiana
caso o embate não colocasse velhos amigos em lados
opostos. É essa a situação que impulsiona
a trama de Na mira da arma, escrito em 1979,
com Elmore Leonard se despedindo do gênero western
em uma aventura repleta de referências a seus romances
anteriores.
Brendan
Early e Dana Moon são verdadeiras lendas vivas. Atuando
em conjunto em capturas de apaches fugitivos e resgates
de donzelas indefesas, a reputação da dupla
como os mais hábeis pistoleiros do oeste se espalhou
por boa parte do território americano. Após
vários anos, as aventuras cessaram e cada um seguiu
seu próprio caminho. Moon foi trabalhar como agente
da reserva indígena da White Tanks, enquanto Early
se tornou um grande acionista da Companhia Mineradora LaSalle.
A relação dos dois, no entanto, manteve-se
inalterada. Pelo menos até o momento em que a LaSalle
reivindica seus direitos sobre o território de White
Tanks.
A
imprensa sensacionalista parte em disparada para o local,
batiza o conflito de Guerra dos Montes Rincon e procura
desesperadamente descobrir se agora Early e Moon seriam
realmente inimigos mortais. Nenhum dos dois parece estar
muito disposto a dar alguma declaração sobre
o caso, mas um repórter novato e íntegro chamado
Maurice Dumas consegue se aproximar de Early... e depois
de Moon.
Dumas aos poucos vai fazendo com que os dois velhos companheiros
voltem a unir suas forças contra Phil Sundeen, o
verdadeiro vilão da história. Sundeen é
o encarregado de expulsar os índios das terras de
White Tanks, mas seu principal objetivo é conseguir
se vingar de Brendan Early e Dana Moon, que anos atrás
foram os responsáveis pelos tiros que o deixaram
à beira da morte. Para isso, conta com o auxílio
de dezenas de pistoleiros - liderados pelo experiente cavaleiro
mexicano Ruben Vega - e das autoridades locais.
É
assim que Elmore Leonard vai, com sua tradicional habilidade,
dando à luz sub-tramas elaboradas e figuras inesquecíveis
em um faroeste que nunca cai nos clichês de um simples
bangue-bangue. Leonard faz com que seus personagens usem
o cérebro antes que precisem engatilhar seus revólveres,
além de sempre preferir criar conflitos internos
em vez de simples duelos armados. Porém, é
claro, ação e emoção são
elementos que não faltam em Na mira da arma.
Ao
lado de outros westerns como Os caçadores
de recompensas, Hombre, Valdez
vem aí e Quarenta chibatadas menos
uma, Na mira da arma é um dos grandes exemplares
da primeira fase da carreira do autor. O "novo"
Elmore Leonard surgiria logo a seguir, vindo a ser aclamado
como um dos grandes romancistas policiais em atividade nos
anos 80 e 90. Livros do porte de Nada a perder
e Ponche de rum fizeram com que seu nome fosse
comparado ao de grandes autores como Dashiell Hammett e
Raymond Chandler, mas o Leonard que veste botas de caubói
não fica devendo nada ao que usa chapéu de
detetive.